domingo, 6 de março de 2016

Agentes de saúde são obrigados pelo município a sacrificarem animais de forma irregular; assista

(Foto:  Divulgação / ONG Elan )

Agentes de saúde e de endemias da prefeitura do município de Nossa Senhora do Socorro estão sendo obrigados pelo município a sacrificarem os animais de forma irregular.

Muitas das vezes sem a supervisão de um veterinário, os agentes amarram uma corda no pescoço dos animais para sacrificá-los. Os cães recebem várias doses de cloreto de potássio sem anestesia. De acordo com o protocolo do Ministério da Saúde, o procedimento é muito doloroso e os anestésicos devem ser aplicados antes.

Em 2015, uma equipe de reportagem da TV Atalaia flagrou um cão, caído no chão, agonizando com uma corda amarrada ao pescoço e muito sangue. Os agentes utilizaram medicamento vencido para sacrificar o animal o que fez piorar o sofrimento, já que o cão ficou agonizando no chão até morrer. O município não tem um Centro de Controle de Zoonoses e os agentes não utilizam equipamentos de proteção. O procedimento é feito em uma propriedade rural e qualquer pessoa tem acesso ao local. As seringas e agulhas são descartadas dentro de garrafas pets.

Chegamos em 2016 e o problema continua..
A Presidente da ONG Educação e Legislação Animal (Elan), Nazaré Moraes, registrou três Boletins de Ocorrência e denunciou ao Ministério Público. “Isso vem acontecendo desde o final de 2015 para cá, mas temos novos casos do dia 25 de fevereiro desse ano. Denunciamos tudo ao MP, fizemos três BOs. Eles estão indo numa casa e ameaçando os moradores para terem acesso a 9 cães que eles alegam ter certeza que os animais portam a doença parasitária calazar sem fazer nenhum exame. Nós já fizemos os exames parasitológicos de linfonodo, preconizados pela cartilha do MS, como sendo o exame que dá 100% de certeza no resultado positivo, encoleiramos os animais (coleira Scalibor) e estamos tratando as sarnas e vermes”, relata Nazaré.

Presidente da Elan, Nazaré.
Nazaré fala sobre as ilegalidades. "Não aplicam anestésicos. A Constituição Federal diz sobre a obrigatoriedade de sacrifício de animais portadores de doenças zoonóticas infecto-contagiosas, o que não é o caso da leishmaniose que é apenas infecciosa e não contagiosa. No caso do cachorro da foto e do vídeo (Pitbull), segundo eles, tinha câncer. Doenças se tratam e não matam. O descarte de tudo do processo é ilegal também. Da abordagem após procedimento, tudo irregular. Eles matam os animais até a pauladas, deram o nome de José Dirceu ao cambão que usam para matar, sangue e cérebro ficam espalhados pela casa", afirma a presidente da ONG.

Moradora fala sobre ameaças de veterinário
"Fui abordada pela equipe a fazer a coleta em meus cães e eu de imediato recusei pois, já conhecia a possibilidade de falha desses exames e amo meus cães. Isso ocorreu em uma quinta-feira, porém, na segunda-feira (22/02) o Anderson, que apresentou-se como veterinário responsável pela área, veio a minha casa, eu não estava, ele falou com meu filho que não autorizou a coleta e pediu meu telefone. No dia seguinte ele ligou para o celular do meu filho para falar comigo e disse que eu teria que fazer a coleta com ele de qualquer jeito, que era obrigado e que se eu me recusasse ele chamaria a TV, o rádio, o exército se fosse preciso e que iria dizer que eu estou com cães com calazar e que conseguiria uma ordem judicial para entrar na minha casa e chegar aos meus cães. Eu no momento desmaiei e meu filho prosseguiu falando com ele e disse que eu havia desmaiado e ele ironicamente mandou chamar a SAMU. No mesmo dia, horas depois ele compareceu a minha residência para tentar me convencer de fazer os exames com ele e eu me recusando, chorei e disse a ele que não suportaria perder um cão, que eu os amo e que não queria fazer com ele esse procedimento. Ele disse que teria que ser feito pois, não havia outra alternativa e que se eu não autorizasse, ele iria vir com ordem judicial e a polícia. Ele deixou claro que um cão doente não serve para sociedade e que se está doente tem que ser sacrificado.Depois que chorei muito e me humilhei ele então falou em tratamento, porém já havia transformado minha vida em um inferno", relata Leda Maria, moradora de Socorro.

"Ele ficou de fazer os exames no dia 25. Ele voltou para fazer os exames, as coletas, depois de algumas ligações ameaçadoras me obrigando a fazer com ele esses exames. Eu não fiz os exames com ele, pois sei da chance de falha desses exames. Eu conheci através de um amigo a ELAN que me acolheu explicando sobre o que é a doença e a forma de transmissão. A ELAN ficou responsável por encoleirar os meus cães, fazer os exames e possível tratamento", explica.

A moradora relata ainda que está sendo perseguida pelo veterinário e que o mesmo teria comprado uma briga pessoal com ela. "O veterinário que está responsável pelos meus cães conversou com ele e ficou responsável pela coleta e tratamento, se necessário. No dia 3 de março ele voltou e como a presença dele me faz mal, eu pedi ao meu filho que o atendesse, com raiva ele saiu nas casas vizinhas dizendo que meus cães poderiam passar calazar para as pessoas e coletar assinaturas, não sei pra qual finalidade. Eu estou sem dormir direito há quase três semanas com esse homem perturbando a minha vida. Parece que ele comprou uma briga pessoal comigo", disse.

A Elan pede a todos que denunciem!
1 - Ministério Público (clique aqui)
2 - SSP/SE (clique aqui)
[left_sidebar]

Nenhum comentário:

Postar um comentário